"A disciplina antecede a espontaneidade." Emmanuel

09 agosto, 2010

Economia de Consumo

O momento pelo qual atravessa a humanidade, nos leva a refletir na validade e longevidade de teorias formuladas com o intuito de auxiliar os grupos sociais a enfrentarem suas contingências. Estas mesmas teorias juntamente com seus criadores lutam de modo a manter sua validade, perpetuar seus princípios pelo maior tempo possível. A velocidade com que se transformam os costumes, exigem de todo o corpo social empenho contínuo na adequação das teorias, as necessidades da sociedade como organismo em contínua transformação.

Importante considerar que com o avanço dos regimes econômicos, juntamente com as transformações impostas a estes regimes, as teorias se aperfeiçoam, se transformam com vistas a responder as demandas dos novos tempos. Alguns intelectuais defensores do Free Market, atribuem a Chicago School, a responsabilidade pela última grande crise em 2007/09, considerando que seus princípios, baseados no ¨liberalismo¨ e na ¨Teoria Neoclássica de Preços¨ como pilares, juntamente com o emprego de baixas taxas e baixa intervenção governamental no setor privado, favoreceram o colapso intelectual e financeiro.

Para alguns estudiosos do setor, a má gestão do setor de empréstimos imobiliários nos EUA, aliados a necessidade de concessão de crédito a indivíduos nos quais a capacidade de endividamento não fora adequadamente comprovada, serviriam de combustível para a explosão da inadimplência em algum momento, o que se verificou mais tarde.

Creditar ao consumo excessivo a responsabilidade pela crise seria na melhor das hipóteses uma heresia, se considerarmos que em um ambiente econômico standard, ou seja, teoricamente perfeito, o ciclo virtuoso, basicamente se orienta pela capacidade de produzir, que aumenta a renda, que aumenta o consumo, que atende as necessidades, que traz satisfação, que aumenta a produção.

Acredito que a intervenção governamental na medida em que vise somente regular as distorções das relações de mercado, juntamente com maior acesso ao crédito, aliando a isto a evolução moral da sociedade em torno de valores outros que não a obtenção de riquezas somente, farão germinar a mais importante variável econômica que age nas esferas individual e coletiva, que afeta mercados domésticos e internacionais e que regula as relações que é a tal da CONFIANÇA. Somente quando os mercados, as pessoas, os governos resgatarem a confiança recíproca, estabelecendo políticas que visem o crescimento coletivo da humanidade, ao invés, do lucro desenfreado, da vantagem a qualquer custo, caminharemos em terrenos menos áridos e mais estáveis do ponto de vista da igualdade.

Um comentário:

  1. Pois é Leandro é justamente o que voce comenta no último paragrafo o grande desafio da humanidade. A crise atual (e as que a antecederam) não é crise econômica, é uma crise moral, antes de tudo. Para os especialistas econômicos e sobretudo para os que "dirigem" e "orquestram" o mundo econômico (Club Bildberg), estas crises foram fabricadas e as deixaram acontecer. A solução para os problemas citados é muito difícil, para não dizer impossível de se resolver, dado o tão arraigado e viciado que está o sistema.

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